Quem leu O Globo hoje deve ter visto. Impressionam as respostas que nada dizem dos assim-chamados críticos. Como alguém pode ter coragem de escrever 5 linhas sem expressar opiniao nenhuma?
À exceçao do Domingos Oliveira e, surpreendentemente, da Juliana Paes, todas as opinioes foram vazias. Ela disse a mesma coisa que ele, mas de um jeito menos sofisticado.
Ler uma opiniao como a do cineasta Matheus Souza é chocante! Como alguem pode se sair com tamanha infamia num jornal de grande circulacao? (“melhor cineasta com menos de 1,70m”) Esse é um jeito escamoteado de se manter em cima do muro. Penso se este camarada faz isso porque tem medo de “precisar” do Caetano pra um futuro filme. Mas falta de opiniao nao é privilégio do Matheus.
Outro jeito incompetente de nao arrumar briga com ninguem é elevar o discurso a um grau de abstraçao inalcançável. Assim, ninguem pode ter certeza do que se está falando. É o que faz Alcione Araújo, dramaturgo: ”(..) é o admirador que destrói a rampa que leva ao Olimpo e fica feliz de ser o bardo de Nova York” - e arremata com um comentário tao genérico que se aplicaria a qualquer coisa - “ciente de que a arte tornou-se mero entretenimento.” Um grau metafórico tao alto que impede a compreensao do sentido.
Nao bastando o conturbado conteúdo de sua opiniao, Mariza Leao peca por uma retórica barata: “Agora, se Allen é grande ou pequeno, desconheço. Há bons e maus filmes, bons e maus diretores. Grande ou pequeno é pra avaliar outras coisas que nao a producao de arte.”
Ué! Será que ela nao entendeu que Grande/Pequeno equivalem aqui a Bom/Ruim, Virtuoso/Desvirtuoso, Positivo/Negativo, Valorado/Avalorado, Belo/Feio ? Vale tudo mesmo pra desconversar um diálogo e evitar uma crítica? Ora, isso é revoltante! Se eu fosse editor do Globo, nao publicaria isso! Porque é desrespeitoso com o jornalista ser demandado por uma crítica e simplesmente nao faze-la. E desrespeito com o público tambem!
Por fim, o próprio curador da mostra do Woody Allen faz um comentário com panos quentes pra todos os lados, com medo de se posicionar à altura de seu interlocutor. Ora, se o Caetano fala o que quer -e é um árduo defensor disso- nao pode ouvir um pouco de detracao em relacao a sua crítica? Nao se trata da sua vida pessoal, mas de sua crítica, como fizeram Domingos Oliveira e Juliana Paes. Em homenagem à vida inteligente, reproduzo na íntegra o comentário dos dois. Destaco em negrito as partes semelhantes:
Domingos Oliveira, diretor: “Woody Allen prima pela clareza. Ele é filho direto de Molière e o maior cineasta da atualidade. Disse alguém que a clareza é gentileza do filósofo. E que o particular é o melhor caminho para o geral. Allen mexe nesses dois caminhos. Transformando, por exemplo, um filme pequeno como “Poucas e Boas” (Sweet and Lowdown) num comentário definitivo sobre a profissao de músico.”
Feliz lembrança desse filmaço que é Sweet and Lowdown - digo eu.
Juliana Paes, atriz: “Quando Caetano diz que Allen tem uma visao estreita… nao seria uma visao peculiar? Em seus filmes há sempre uma tentativa de enxergar o bizarro, o incomodo por trás das situaçoes “beges”. Um careta zombando da própria máscara. Quem nao é careta? Eu sou! Se muito ou pouco, é uma questao de pontos de vista.”
Um jeito feliz de afrontar alguém de modo inteligente.